11.Mar de narcos. O cantor de tango

11. O cantor de tango

Ainda em seu escritório, chegou a Máxima a notícia de que um turista de Mompiche morrera de dengue hemorrágica. Logo o consultório de Tres Vías estava cheio de pacientes daquela cidade que estavam em pânico.

Com um jovem dentista, que fazia parte da equipe, foram à comunidade verificar qual era o problema, o que parecia apenas um boato, talvez o estrangeiro tivesse morrido por outras causas.

Ao chegarem à comunidade, visitaram o hotel onde o falecido estava hospedado. Como em todos os lugares da região havia mosquitos, durante o dia o Aedes aegypti e à noite os Anopheles, que ela conhecia bem, porque a sitiaram na casa dos promotores de saúde de Puerto Nuevo, onde ela morava.

Na chegada ao hotel não houve anormalidades, eles vasculharam a cidade em busca de como as pessoas descartavam os resíduos sólidos. Havia um depósito de pneus, com a ajuda da comunidade fizeram uma fogueira na qual queimaram pneus, recipientes de plástico e outros combustíveis que poderiam abrigar mosquitos.

Na escola, fizeram uma palestra para as crianças comunicarem aos pais como combater o mosquito. O auxiliar do subcentro confirmou o falecimento de um estrangeiro e indicou que estavam utilizando abate nos reservatórios de água porque o sistema de água potável da cidade, que estava sendo construído com o auxílio do Decameron em um grande hotel, ainda não estava em funcionamento. então o povo juntou a água da chuva para beber e cozinhar e todas as mulheres foram ao rio para se lavar. Esse era o laboratório de fofocas da aldeia.

Ao meio-dia foram comer e o prato eram camarões grelhados, no restaurante de um amigo de seu pai que o conheceu quando ele era médico em Atacames. O homem disse a ele que o maior problema na cidade eram os aguajes que comiam a praia e ameaçavam as casas. Eles haviam construído uma parede de pedras, mas o mar saltou sobre a parede, atingindo os hotéis e restaurantes.

Chegou ao local um argentino que cumprimentou a todos, pois como todas as mesas estavam ocupadas, pediu licença para se sentar à mesa de Máxima.

Era um jovem branco de cabelos negros que mantinha elegância e um jeito de falar não diferente dos outros argentinos.

-Sou o Sergio, cantor profissional de tango- estendeu a mão para Máxima.

- Prazer em conhecê-lo, sou Máxima, médica Camponesa da Previdência Social.

- O que é a Previdência Social Rural, algo diferente do Ministério da Saúde?

- É um seguro pago pelos equatorianos filiados ao Instituto de Previdência Social, ou seja, aqueles que têm salário de agricultor, contribuem apenas com dois dólares e recebem atendimento médico, internação, laboratório, reabilitação.

- Caray, que coisa boa, eu não ouvi isso em outros países e viajei pela América Latina de cima a baixo, agora eu venho da República Dominicana.

- Você vai cantar aqui em Mompiche?

. Se Decámeron me contratou, agora eles têm muitos turistas argentinos, como esta praia. Esta noite é minha estreia. Eu adoraria que você se juntasse a mim. Você seria meu convidado.

- Uau ... que bom.

- Preciso de uma opinião como a sua para melhorar meu desempenho.

- OK. Eu vou

- Estarei na entrada esperando por você, minha apresentação é apenas para clientes do hotel, então devo ir providenciar para que você me veja.

Máxima alugou um quarto no hotel vizinho em que faleceu o estrangeiro, que achou muito agradável, naquela noite chegou de táxi ao hotel. Sergio a recebeu, apresentou-a ao gerente e levou-a ao salão do restaurante, onde estava sendo preparada sua apresentação.

A apresentação do cantor foi várias vezes aplaudida e no final ele fez uma dedicatória à Máxima.

-Para minha convidada especial, Dra. Máxima da Seguro Social Campesino, que trabalha na área, tango ... Por una Cabeza.

Depois dessa apresentação, Sergio acompanhou Máxima ao hotel dela e perguntou-lhe

- Bem doutor, estarei aqui esta semana e depois tenho que comparecer às Casas de la Cultura em Quito.

- Moro em Quito com minha mãe e minha filha. Se quiser, pode vir até nossa casa.

- Eu estarei viajando na sexta à noite. Quase toda semana eu viajo para Quito, minha filha está estudando e só de férias vem me acompanhar.

- Você pode ir de ônibus daqui para Esmeraldas e de lá para Quito, certo?

- Sim.

- Proponho que nos encontremos aqui na sexta à noite e viajemos juntos para Quito.

- Está bem.

- Em Esmeraldas pegaram o último ônibus Panamericana que os deixou na Av. Colon, perto da casa de Máxima.

- Tivemos que esperar cerca de duas horas e fila para comprar os ingressos.

O lugar era um burburinho, típico daquele lugar onde os Afros viviam o burburinho alegre, parte de sua cultura.

A viagem foi a típica viagem de ônibus, 6 horas assistindo filmes de ação a noite toda,

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