18 Negligência hospitalar

Novamente no dispensário Três Vias, a Dra. Máxima foi chamada com urgência para atender um paciente grave.


Era sobre uma pessoa famosa na cidade que teve um derrame. Depois de tirar a pressão e estabilizar o paciente com a redução da pressão, por meio de medicamentos e meios físicos, recomendou aos familiares a transferência imediata para o hospital do IESS em Esmeraldas.


No momento em que ia embarcar com o paciente para acompanhá-los, lembrou-se das palavras de seu pai que lhe dizia que um paciente de emergência deve estar sempre acompanhado até o hospital, pois se vai em veículo particular ou em um ambulância, geralmente quem a carrega não sabe o que fazer se complicar na estrada. Mas o mais grave é que se ele chega no hospital, geralmente quem recebe é um aluno que está fazendo estágio em emergência, e o que ele vai fazer é mandar o paciente de volta para casa. Geralmente são meninos que, por usarem avental e fazerem suturas, se consideram médicos com os conhecimentos mais atualizados e atualizados que seus professores.


Enfim, ele não pôde acompanhar o paciente que já tinha hemiplegia até o hospital, pois teve que atender outro que havia sofrido um acidente com machê e sua artéria do joelho estava sangrando muito, votando sangue a metros de distância, ele teve que parar imediatamente sangramento.


-Por favor, este é o número do meu celular, quando você chegar ao hospital, me ligue se tiver algum problema- disse ele à velha e aos filhos que encontraram um caminhão para transferi-lo deitado de costas.


Já no segundo andar, depois de colocar um torniquete temporário na coxa, ele começou a desabar a artéria porque era muito difícil, com os poucos recursos disponíveis no consultório, fazer qualquer outra coisa.


Quando o velho chegou ao Hospital IESS em Esmeraldas, eles imediatamente entraram na sala de emergência.


O médico de emergência estava enfrentando outros problemas e um dos novos alunos cuidou deles.


A enfermeira mediu sua pressão arterial e descobriu que ele estava estabilizado.


O jovem praticante examinou as pupilas que estavam desiguais e os reflexos do paciente estavam ausentes no lado direito. Era evidente que a paralisia de metade do corpo havia ocorrido e que era irreversível.


-Aqui não há nada a fazer- disse aos parentes


“Tem certeza doutor?” Perguntou a esposa, ainda incrédula.


- Sim senhora. É um infarto cerebral que paralisou seu lado direito.


"Vamos, mamãe", disse um dos filhos. - Vamos voltar no mesmo caminhão.


Eles colocaram o paciente de volta na carroceria do caminhão e fizeram a viagem de volta para Três Vias, que durou uma hora. Mas, no caminho, o paciente sofreu outro ataque cardíaco.


Dois dias depois, o médico que passou um dia naquele dispensário foi ver os parentes e soube que o paciente havia retornado.


“O que você quer dizer com eles não entraram?” Ela perguntou irritada.


- Sim doutor, eles não mandaram de volta, porque não tinham o que fazer no caso que nos contaram.


- Ao examinar o velho novamente, ele não tinha mais hemiplegia, mas tetraplegia.


Nos dias que se seguiram, uma vez por semana fui examiná-lo, havia feridas em seu corpo.


-Têm que comprar um colchão anti-escaras e teremos que usar antibióticos mais fortes- esse mau cheiro é produzido por uma bactéria mortal, se chama pseudomonas aureginosas e é muito difícil de curar.


Nos meses seguintes, a esposa era a única acompanhando o paciente e não tinha forças para movê-lo todos os dias.


- Mais uma vez tem que levá-lo ao hospital para tratamento de escaras e remédios apropriados, os antibióticos que a gente dá não adianta nesses casos e os que ele deveria receber são mais caros.


A história se repetiu novamente. O paciente chegou ao hospital do IESS, desta vez foi atendido pelo pronto-socorro, mas o hospital não tinha leitos. Parentes trouxeram o medicamento. Foi um grande alívio para toda a família quando meses depois o paciente morreu.


Máxima então se lembrou do que seu pai passou quando teve um paciente queimado quando trabalhava em San Juan de Lachas. Nele, uma jovem que sofreu um acidente no ônibus em que viajava machucou a coluna e após meses de paralisia desenvolveu escaras. Esse mau cheiro não foi resistido pelas enfermeiras, nem pelas auxiliares do hospital, e ele levou o caso para o lado pessoal. Ela repetidamente a mandou para o hospital de Ibarra e eles a devolveram dizendo que não podiam mais fazer nada, ela finalmente morreu deixando uma menina. Aqueles remédios de matico e guarango que eu uso com Dom Sebas não ajudaram muito, foram meses de tortura.


Seu pai lhe disse que ele deveria acompanhar os pacientes de emergência até o hospital e fazer com que eles fossem internados e até mesmo intervir no diagnóstico e tratamento imediato.

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