27. O bairro dos narcotraficantes

Máxima teve que fazer um mapa informativo de Tonchigue e para isso foi visitar o bairro que fica do outro lado do rio.


Como o resto da cidade, só tinha ruas de cascalho, mas havia mais casas de cana e zinco.


O centro do bairro era um campo de futebol, e ao redor dele havia uma escola, uma capela. casas e um salão de bilhar.


O dia estava quente, o sol estava forte e implacável, então ele entrou na sala de bilhar, que era ao mesmo tempo uma tenda.


Foi recebido por um homem de pele escura, obeso e feio,


-Como posso ajudá-lo a perder?


- Sou o novo médico do dispensário Camponês da Previdência Social.


- Ha .. se eu já te reconheço doutora, quando vi a abertura do dispensário- seu rosto hostil mudou imediatamente assim como sua voz- Em que posso ajudá-lo? - ele perguntou muito gentilmente.


- Por favor, você pode me vender um rabo,


- Eu só tenho Coca Cola.


- Está bem.


O homem o atendeu e a conversa começou - eu sou Pablo Gracia.


- Prazer em conhecê-lo, sou a Dra. Máxima Umiña.


-O que o traz aqui, doutor? Os médicos quase nunca vêm, só vêm os auxiliares ou enfermeiras do subcentro do Ministério da Saúde para vacinar os cães e as crianças.


- Tenho que fazer um mapa informativo. Você mora aqui ou só tem seu negócio? - perguntou ele olhando para aquele lugar que tinha algumas mesas de sinuca, o lugar cheirava a fumaça de tabaco e álcool.


Naquele momento, duas pessoas, também mulatas, cheias de tatuagens, desceram de uma motocicleta e entraram fazendo um grande alvoroço.


- O que era Don Pablo, colocou uma das whishy Johny Walker, se for uma faixa azul, melhor! Como ele está? - perguntaram os recém-chegados que tinham sotaque colombiano.


- Só tenho uma faixa vermelha há 12 anos.


"Não importa, está tudo bem e o preço não importa", disseram os dois homens que tinham suas armas escondidas na cintura sob as camisas coloridas.


- Quem são? - perguntou o médico em voz baixa, após Dom Pablo servir-lhes a mamadeira com copos e gelo.


- Eles são gota a gota, agiotas colombianos que emprestam dinheiro aos pescadores e a todos por aqui, então eles arrecadam todos os dias, ou todas as semanas.


- Eles parecem colombianos.


- Sim, são da Tumaco. São negros ou mulatos de lá. Existem muitos por aqui. Atacames tem centenas de colombianos que têm todos os tipos de negócios, principalmente a venda de roupas. Estes têm um jogo de loteria na parada Triângulo.


- A polícia não os prendeu por porte de arma? Sei que é ilegal e que a pena é de vários anos de prisão.


- Os primeiros a pegar dinheiro emprestado gota a gota são os policiais.


Os homens começaram a jogar bilhar, ficavam eufóricos jogando, pareciam drogados e a certa altura, enquanto bebiam o uísque, colocaram uma nota de 100 dólares na mesa onde estava a garrafa e com outra começaram a cheirar a cocaína , que eles colocam em listras, antes de esfregar seus narizes.


- Como podem fazer isso sem modéstia? -perguntou a médica baixinho e virando-se de costas para eles, enquanto os homens a olhavam com luxúria na superfície.


“A polícia não vem aqui e eu sou o responsável por este bairro”, respondeu Dom Pablo, “Eu moro aqui há 30 anos e nunca saio daqui”.


-Por que?


- Porque há trinta anos escapei da prisão de Esmeraldas, que se chama Santas Vainas. Eu fui preso. Acontece que eu matei o gallero mais famoso por aqui, que era companheiro de uns traficantes de drogas de Los Angeles, que eram os reis do narcotráfico. Seu sobrenome era precisamente Reyes, e aquele era seu assassino mais cruel. Gostava de galos também, tem sido o meu vício, aqui no quintal tenho alguns. Venha conhecê-los.


Os dois seguiram para o fundo do salão de bilhar, onde havia uma dúzia de galos brigando em suas gaiolas.


-A questão era que o homem tinha trazido alguns galos do Japão ou das Filipinas, encarei ele com o meu e ele apostou contra todas as pessoas na cabine. Quando a gente estava na luta, estava tudo igual, o cara parou a luta e pediu para o povo dobrar a aposta, ele colocou muito sucres daquela época, porque não tinha dólar, na mesa de apostas.


As pessoas foram procurar dinheiro em suas casas, dobraram a aposta. Eu estava lá com minha filha, ela me perguntou por que eu também não dobrou minha aposta, eu não tinha mais dinheiro, bom, ela me disse para apostar na minha filha, que tinha 15 anos e era muito bonita, ela cuidou dos galos. Fui picado e fiz isso,


O meu galo foi ferido pelo galo preto dele, o meu era azedinha, mas não toquei no chão com o bico, não parava, peguei no meu galo. Naquela época tinha um médico lá que trabalhava no parque, ele estava com a mulher, gostavam dos recheios que vendiam na galera


-Se fossem meu pai e minha mãe- disse a médica que não piscou ao ouvir aquela história, que era a mesma que seus pais lhe contaram.


"Aquele médico era seu pai?", Perguntou ele, surpreso.

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