33. O narco-bordel

Máxima ouvia maravilhada a história contada entre as prostitutas do novo bordel, enquanto comia um saboroso arroz com casca e camarão na sala de jantar, a uma quadra do dispensário. Essas mulheres eram um clube de solidariedade, que se referiam a outras peculiaridades dos bordéis do país, já que umas vinham de garimpos onde era extraído ouro, outras de províncias onde circulava grande quantidade de caminhões, outras iam de festa em festa nos numerosos cantões. do país, sua vida era de nômades, que desapareceram por alguns dias de suas casas e voltaram para suas casas, com presentes e dinheiro.

- Aí está! - disse uma delas, que era uma negra esguia, para outra que era branca do Sul. - É preciso ter cuidado é com os homens belicosos. Por aqui abundam e quando estão a beber, fazem brigas, nesse momento fogem, escondem-se, não pensam em tomar partido nem entrar, porque normalmente as brigas são por uma das raparigas.

- Como é o trabalho em outro lugar? - perguntou uma das meninas.

- No norte é bom porque encontraram ouro nos rios. Os mineiros gastam.

- O ouro também é encontrado em todos os lugares da Amazônia, os negócios lá são bons.

- O ruim é que no norte, quem compra droga e não vende os mineiros tem problemas, porque os pistoleiros andam de motocicleta com armas garantindo que os mineiros não vendam para outros compradores, nem para o governo. São os narcotraficantes que compram todo o ouro, acho que é assim que lavam o dinheiro deles.

- Com licença - interrompeu Maxim - Eu sou o médico do dispensário e por acaso ouvi sua conversa - disse enquanto tomava uma xícara de café da mesa ao lado - Queria perguntar se você faz sexo com camisinha.

- Claro doutor- responderam em coro.

- Bom, porque eu sei que a AIDS agora é um grande problema na cidade.

“A gente sabe, a tarifa inclui a camisinha, até examino o membro para garantir”, disse a morena.

"Eu nem faço sexo oral sem camisinha", disse a mulher mais branca, "porque o noticiário fala que causa câncer por papiloma." Um ator famoso teve problemas por isso.

- Se tiver algum problema de saúde pode contar comigo, sou o único médico que trabalha à noite porque durmo no dispensário.

- Obrigado doutor, vamos mantê-lo em mente.

Naquela noite, na nova discoteca, havia muitas motocicletas e carros de luxo. Na escuridão, os capos tiveram uma noite de diversão e depois saíram. Nesse momento entrou Diomedes, o que mudou o ambiente.

Diomedes sentou-se em uma das mesas por onde duas das garotas se aproximavam, o que despertou a ira de uma das que bebiam na mesa atrás dele, pois a garota que estava em sua mesa foi atender o recém-chegado

-Bom Don Diómedes. O que vai ser servido?

-Um copo de uísque e o que você quiser.

- Eu tenho uma cerveja- disse a morena

"Eu também", disse o mais branco, naquele momento a pessoa que estava furiosa da mesa atrás dele se levantou, quebrou uma garrafa e atacou traiçoeiramente Diomedes, ferindo seu rosto. Os outros que estavam com ele o seguraram.

"Ele é genro do patrão do bairro nobre. Estúpido! Eles vão nos matar aqui se não fugirmos", gritou outro.

Os agressores saíram correndo do bordel e fugiram em suas motocicletas.

Máxima estava dormindo profundamente quando foi acordada por gritos e batidas na porta do dispensário. Ele vestiu seu terno verde e saiu para ver o que acontecia.

- Doutor, temos um ferido, é uma emergência - gritou a morena.

Máxima abriu a porta e os conduziu ao escritório.

"Eles me atacaram de forma traiçoeira, doutor", comentou Diomedes.

- Eu vejo isso e estava com uma garrafa porque reconheço como desfigura o rosto.

“Você pode costurar?” Perguntou a morena.

- Vou ver se temos o fio adequado para essas feridas.

A médica saiu e voltou em poucos minutos com o fio apropriado e depois de quase duas horas de trabalho árduo, ela estava pronta.

- Vou ficar bem doutor ou como um monstro?

- Acho que Diomedes vai ficar bem.

Na verdade, depois de alguns dias, o rosto de Diomedes era como se nada.

“Dou os parabéns ao seu doutor, acho que fez um milagre com as mãos”, comentou quando se sentiu curado.

"Quem foi que te machucou?", Perguntou Máxima.

- Já estamos procurando.

- Se você os encontrar, você vai matá-los?

- Não, vou fazer o mesmo com ela, mas tentarei não ter a sorte que tive de encontrá-la.

-Acho melhor agradecer a Deus e perdoar.

-Se houver perdão, a questão é se eles não o farão novamente comigo ou com os outros.

- Então você tem que fazer uma denúncia formal antes da acusação, e que a polícia procure por ele.

- Aqui a justiça é comprada e vendida doutor. Isso não existe, a justiça é por ela própria, ou vira impunidade, e depois nada, é como se nada tivesse acontecido.

- Diomedes, acho que a melhor forma de me agradecer pelo trabalho que fiz é andando avisado, mas esqueça a vingança


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