35. Os narco LGBT

Na casa ao lado do dispensário da Rede de Saúde Camponesa de Santo Tomás, veio morar um jovem que depois de alguns dias se tornou de carne e osso. Ele estava acompanhado da mãe que foi procurar o médico, quando ele se complicou.

“Como você se sente?” Perguntou o médico ao menino que morria diante de seus olhos.

"Eu tenho AIDS", ele respondeu com sua voz abafada.

- Quantos anos tem?

-  Vinte e dois.

- Como se chama?

- Robert

“Vou tirar a pressão dele”, disse a Dra. Máxima, assim que chegou um grupo de travestis.

- Como vai ? Um deles perguntou.

"Ainda não sei", respondeu o menino, que ficou muito feliz em vê-los.

A médica continuou com seu exame médico, que foi intercalado com perguntas para a paciente.

- Acho muito delicado. Você tem que compensar a desidratação causada pela diarreia que você tem.

No dispensário, a enfermeira Berta recusou-se a dar-lhe o soro vitamínico, por medo de contrair a doença.

- Não doutor, não posso colocar você, tenho filhos e família. Me da medo.

- Ok, vou colocá-lo. Por favor, me passe o soro, o complexo B e esses antibióticos desta receita.

O médico colocou o soro com todos os cuidados para evitar o contato com o sangue.

- Obrigado doutor, respondi uma das traverstis. Geralmente eu dou os soros para ele, porque os médicos e as enfermeiras não querem.

- Você também tem AIDS?

- Sim, mas há anos recebo tratamento retroviral no hospital La Esperanza. Parece que tenho tudo sob controle.

-Onde o nosso amigo trabalhava?

- Ele era nosso melhor cabeleireiro, no cabeleireiro da estrada.

No dia seguinte, quando foi para a sala de jantar onde costumava tomar seu café da manhã, a negra Tomasa, com uma cebola excelente, viu muitas travestis, que participaram da festa da Virgen del Carmen, que incluiu seu desfile de moda.

  Foi um grande encontro, no cabeleireiro, que atendeu também jovens não santomenses. A maioria usava roupas de luto.

- O que aconteceu com seus vizinhos? - perguntou Máxima- Ao preto Tomasa, que também estava de luto.

- Às doze vamos enterrar aquela que foi rainha de San Medardo, o povoado vizinho.

- Também era LGTB ou algo semelhante?

- Ela não, mas o namorado dela era bissexual.

- Ela sabia?

- Não sei. O noivo é o jovem que está doente e mora ao lado do dispensário.

Naquela noite, Máxima teve que fazer um programa de saúde, como todas as terças-feiras, no canal de televisão que distribuía televisão a cabo para os moradores de Santo Tomás e San Medardo. Na rua, antes de chegar ao canal, havia um caixão, que era vigiado pelo povo, que se reuniu para orar a noite toda.

A casa funerária havia colocado barracas na rua, lustres, o caixão com uma janela voltada para o rosto daquela que era uma bela jovem de 20 anos. As pessoas fizeram fila para olhar para ela uma última vez, orando e colocando flores na caixa. Entre os que o acompanharam estava todo o grupo LGTB que atendeu o cabeleireiro pela manhã.

A conversa na emissora foi justamente sobre o problema da aids e a necessidade da gestante fazer o teste de HIV, poder fazer transfusão de sangue e prevenir a aids no recém-nascido, campanha que levou adiante o governo, como bem como o uso de preservativos nas relações sexuais.

No dia seguinte foi ver o vizinho, que reagiu muito bem ao medicamento.

"A rainha da cidade de San Medardo morreu ontem e me disseram que ela era namorada dele", comentou o médico.

- Nos conhecemos quando ela era candidata e veio buscar o pente no cabeleireiro. Éramos um casal.

-Ela sabia que você era bissexual?

- Não no começo, mas depois sim.

- Ela também usava drogas como você?

- No começo não, mas depois ele usou maconha para não engordar e veio o resto.

Com o passar dos dias, Roberto parecia melhorar, que o tratamento com os revirais que lhe davam em La Esperanza dava bons resultados. Ficou até feliz, parabenizou-o ao vê-lo passear e sorrir com suas amigas travestis, que cuidavam dele, o acompanhavam em seus passeios pela cidade. Mas a alegria não durou muito.

-Médico! Venha rápido. O vizinho está doente, disse a enfermeira.

Ao examiná-lo em seu leito, a médica diagnosticou um quadro de convulsões e febre, que vira em um amigo, um colega estudante, também gay, que foi à Espanha e voltou com AIDS, era a típica invasão do cérebro por amebas.

“Está errado, é muito provável que saiamos do coma”, disse aos amigos reunidos na entrada. Você tem que chamar a ambulância.

A maca entrou na ambulância com o corpo de Roberto, que em poucos dias era osso e pele, com olhos enormes, ele não conseguia mais falar, apenas piscava. Quando a porta se fechou, Maxima se despediu de sua paciente.

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