36 O funeral dramático de um coiotero e traficante
Foi mais um domingo na vila de Santo Tomás, o sol não faltou. Dos 365 dias do ano, choveu no máximo 60, os demais dias foram em sua maioria dias claros, exceto de julho a setembro, quando com a chegada das baleias, o céu se encheu de nuvens e o mar esfriou.
Na praia as pessoas saíam, umas jogavam futebol de areia, outras sentavam na areia de maiô, sempre com calor meio-dia, um bom momento para conversar, rir, paquerar, enquanto as crianças desenhavam figuras na areia, ou com seus pais, eles iam a pé a San Medardo, brincando com as ondas, os cachorros ou recolhendo conchas.
Em certos aguajes, quando o mar entra e ao mesmo tempo se afasta, a largura da praia podia chegar a cem metros, por isso os churos e os pequenos caranguejos vermelhos estavam por toda parte.
Essa alegria da natureza e das pessoas foi como uma homenagem ao dia em que os pescadores só foram pescar de noite, quando mais uma vez embarcaram para pular as ondas com seus barcos e canoas, rumo a uma escuridão infinita, que veio depois de um dourado sol, que pintou o horizonte e a água com nuances.
Máxima está voltando para seu quarto depois de fazer um piquenique assistindo ao pôr do sol, quando vieram vê-la.
Ele pegou o que precisava no dispensário e foi a uma casa onde o colocaram cuidando de um homem como você de trinta anos.
-Por favor doutor, o morto não está morto, ele respira, todos nós o vimos e até mexeu os olhos.
Máxima o examinou várias vezes, enquanto todos os que o observavam garantiam que ele ainda estava vivo.
-Quando ele morreu? - perguntou à esposa do falecido que não parava de gritar, chorar e repetir que ele estava vivo e para ser retirado do caixão.
"Hoje pela manhã", disse outro parente menos chateado.
- Em que lugar?
- No parque ele teve uma coisa parecida com um infarto, pois só deu um grito, levou a mão ao peito e caiu no chão. Depois, ele não reagiu mais.
-Você comeu ou bebeu alguma coisa?
- Venha doutor, vamos conversar lá fora, tem muita gente aqui e está histérica.
Máxima saiu para a rua onde as pessoas vestidas de luto continuavam chegando.
Eles entraram em um carro e o homem começou a lhe contar o que havia acontecido.
Doutor, viemos de uma viagem muito longa pela América Central, confiamos em algumas pessoas que queriam entrar nos Estados Unidos pela Guatemala, saímos e viemos. Fomos ao novo clube das meninas, começamos a beber, pegamos uns apitos de maconha, cheiramos a branca, sabe cocaína, depois sexo com as meninas e refrescar as cores. De manhã fomos para nossas casas e ver, no parque o homem cai.
O médico voltou para casa para examinar o morto.
-Este médico vivo! Ele está vivo! .- Os assistentes repetiram quase em coro.
-Você tem que reanimá-lo ou ele não vai sair daqui- Disse com raiva a esposa do falecido.
-Madame, muitas vezes os mortos parecem vivos, mas eu tenho suportado a sua pressão, vamos lá, olha as pupilas ...... Veja que não reagem à luz, quer dizer que ela está morta.
“Não é verdade!” A mulher gritou com raiva, eles não podem enterrar um homem vivo.
A multidão impediu o médico de sair. O local começou a ser contaminado pela histeria, outras mulheres repetiam que o cadáver que estava no caixão, respirava.
-Você não deixa um médico antes de reanimá-lo.
-Farei o possível, mas preciso ir ao dispensário, temos que comprar remédio na farmácia para reativar o coração. Pegou o baço do amigo do falecido que o acompanhava à América Central e juntos caminharam por entre os assistentes que se revezavam olhando e verificando se o falecido estava respirando.
Já na rua, foram à farmácia.
- Vou perguntar se eles têm adrenalina, me esperem aqui e avisarei quando valer a pena.
O médico entrou na farmácia.
-Senhor, faça um favor, a casa tem outra porta para escapar daquele homem que me assedia?
- Sim, doutor, venha por aqui.
O médico saiu pela porta dos fundos da farmácia para outra rua, discretamente foi de triciclo até a delegacia para pedir proteção.
-O homem entrou na farmácia - Onde está o médico?
-Saiu, não encontrou adrenalina. Ele disse que iria buscá-la no dispensário.
A delegacia foi fechada, atravessando a rua ela conseguiu pegar um ônibus que a levava até Santa Rosa, sem ninguém perceber.
Em Santa Rosa, ele foi ao comando da polícia, que enviou uma viatura a Santo Tomás para apurar o que estava acontecendo.
Enquanto isso, Máxima chegava a uma cafeteria no parque central, enquanto tomava um café, ela pensava em como era perigoso aquele momento em que foi pega em uma histeria coletiva.
Naquela mesma noite, pegou dinheiro no caixa eletrônico e embarcou para sua casa em Quito.
Ao chegar em casa na capital, ela abraçou a filha e os pais com força.
-Foi um momento terrível. Todo mundo gritando que ele está vivo e que tenho que reanimá-lo. Ela estava cercada por dezenas de pessoas fora de sua mente, ela disse a seus pais preocupados.
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