42 O mundo da máfia dos sindicatos estatais

A Rede de Saúde Camponesa, a educação, a rede de saúde do ministério, as universidades, a Refinaria Estadual de La Esperanza, foram os sindicados nas mãos do Movimento Estalinista Maoista.

Em cada um desses sindicatos, o medíocre virou poder, então por exemplo na educação os professores, mais corruptos, tinham o controle, como nas Universidades, ou na Rede Camponesa.

O Movimento Estalinista Maoista, além de ser financiado com as contribuições de funcionários públicos, médicos ou professores, era financiado com o que recebia das contribuições dos camponeses filiados à Rede de Saúde Camponesa. Esse foi o preço que os membros pagaram pelos ganhos trabalhistas que conquistaram, graças às paralisações e greves que fizeram.

As greves eram no início dos anos letivos na Serra, isto é em outubro, ou na Costa em março, e essas greves podiam durar meses, quando a educação pública se tornou a pior educação do país.

Essas greves também eram comuns na rede de saúde, o que tornava deficiente o atendimento médico na rede de saúde que incluía o Ministério da Saúde, Previdência Social e Rede Camponesa.

Na rede de saúde, o sindicato dos auxiliares era mais poderoso, pois eles possuíam mais membros. Isso permitiu que os auxiliares fossem os verdadeiros donos dos dispensários, e subcentros, onde decidiam quem o médico atende ou não, quem dá ou não remédios ou vacinas. Normalmente trocavam turnos de atendimento médico, ou entrega de remédios, por todo tipo de favores que iam desde a entrega de presentes como queijo, até acobertar faltas ou atrasos.

O partido stalinista maosita era inimigo da morte do partido do presidente, eles também tinham o governo provincial. Quando o presidente chegou para fazer uma visita para inaugurar obras como o novo aeroporto ou a enorme ponte sobre o rio, os do PSM bloquearam a sua caravana, para expressar o ódio que sentiam por ele, uma vez que tirou do partido a gestão dos fundos de

Dentro da Rede, este partido havia semeado regionalismo e oposição aos médicos cubanos, já que os cargos públicos nas áreas de saúde e educação eram o mecanismo pelo qual atraíam simpatizantes, não gostavam que o governo colocasse funcionários e se o fizessem eram rejeitados. ou sofreram assédio e discriminação, se não contribuíram para o sindicato ou se sindicalizaram, ou seja, se não pagaram a parte.

O partido stalinista maoísta operou como os cartéis da máfia. Maxima se recusou a entrar no sindicato e contribuir. Era quase como assinar o despedimento, vivia o distanciamento todas as primeiras semanas do mês, que os restantes médicos do sindicato praticavam com os que não estavam com eles, nas reuniões mensais

-Acredito que esta associação de médicos e dentistas da Rede Camponesa é na verdade uma associação de mentirosos e ociosos- ousou dizer em reunião.

Essas palavras radicalizaram ainda mais o regionalismo vivido contra os montanheses e a xenofobia contra os cubanos nas reuniões mensais.

Em Santo Tomás, Máxima almoçou no restaurante de uma deputada suplente do partido do presidente. Ela era da vizinha província de El Maní, trabalhava todos os dias com o marido, seu restaurante se tornando o mais famoso e procurado pelos turistas que iam às luxuosas vilas de San Medardo, a praia dos ricos do Serra.

- O governo está se oferecendo para construir 14 centros de estudos tecnológicos, seria bom candidatar-se a um - propôs à deputada enquanto ela comia.

- Claro que sim!. O que precisamos? -Respondeu os membros da assembleia.

- Já propus aos da Organização Camponesa que fizessem o instituto tecnológico em sua fazenda, quando estava trabalhando em Trinidad, mas aos do SENECYT pedi 4 hectares. em um local plano. O lugar tinha luz, água, rio era perfeito, mas eles não gostavam.

- O maior proprietário de terras da cidade, que é meu amigo e que tem uma fazenda de camarão, onde meu marido trabalhava, acho que ele pode nos dar um terreno. Se quiser podemos ir ver qual seria o melhor, pois tem centenas de hectares.

Máxima foi com a suplente e o marido ver o terreno mais plano, tinha um na beira da estrada, tinha luz e água.

Máxima visitava a SENECYT todas as segundas e terças-feiras das semanas seguintes, sempre que tinha que viajar para Quito, para ver sua família,

Após meses de insistência, os funcionários estavam avaliando o terreno. No começo eles gostaram,

- Agora pedem que façamos a doação do dono.

-Eles moram em Quito.

-Quando podemos visitá-los?

-Tenho que comparecer à Assembleia Nacional na próxima semana, posso marcar uma reunião com eles.

"Então vamos lá", respondeu o médico.

O encontro com os proprietários do terreno foi um sucesso. O terreno já estava disponível, e mesmo essa doação foi registrada em cartório.

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